Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Daily Fábio

As Tabernas de Alpalhão em tempos que já lá vão...

Fábio Belo, 28.08.19

12289575_1027671930616100_3339542613396623690_n.jp

Não me lembro das trinta e uma tabernas. Tenho na memória duas ou três. Já lá vão os tempos de antigamente. Estes versos dedicados às Tabernas de Alpalhão, distrito Portalegre, chegaram-me às mãos há três anos, e hoje partilho-os consigo.

 

Mote

A Vila de Alpalhão

Tirinta e uma tabernas tem

Se houver dinheiro e disposição

Em todas se bebe bem

I

Na do António Paulo

E na do Benigno Sequeira

Bebe-se de uma maneira

É só a gente prová-lo

Dá-se com a língua um estalo

Na do João Temudo Durão

Até refresca o coração

Na do Francisco Duarte

Nunca fica de parte

A Vila de Alpalhão

II

Na do António Moraes

E na do Eduardo Saboeiro

Passa-se um dia inteiro

Assim como nas outras mais

Todas elas são iguais

Para quem de fora vem

Na do João Velez também

E na do Francisco Baginha

Para se beber a boa piguinha

Trinta e uma tabernas tem

III

Na do António Caraça Varela

E na do Joaquim da Graça Paixão

Bebe com atenção

Olha que a pinga é bela

A do Jerónimo da Costa é aquela

Que nos fica de recordação

Na saída de Alpalhão

Quando se vai para Niza

Tudo no melhor sempre desliza

Se houver dinheiro e disposição

IV

Na do José Sequeira Valentim

E na do António Ferreira Nabo

De beber nuca acabo

Sem os levar até ao fim

É um gosto para mim

Entrar nela porém

Saber qual é a que tem

O vinho mais afamado

Mas pelo que eu tenho notado

Em todas se bebe bem

Mote

Na do João Rovisco Carrilho

Na do José Rovisco Rijo

Á do Amandio Loução

Eu sempre me dirijo

I

Na do João Grave Caldeira

E na do António Basto

Até se olha para o astro

Com o sumo da parreira

Na do João Cadete da mesma maneira

Encontras o mesmo brilho

Anda a gente num sarilho

Enquanto as não percorre

De sede não se morre

Na do João Rovisco Carrilho

II

Na do António Ferreira

E na do Manuel Lopes Rijo

Creias que não finjo

Em falar d´esta maneira

Com a mesma bandeira

Todas elas atinjo

Só apenas exijo

Aquilo que possa ser

Mas gosto muito de beber

Na do José Rovisco Rijo

III

Na do Gregório Rovisco Mousinho

E na do António Marchão

Na da Maria Saboeiro, com satisfação

Gosto de beber o meu copinho

Há ali bom vinho

Há boa disposição

Eu tenho de recordação

E não lhes posso mentir

Que sempre gostei de ir

Á do Amadio Loução

IV

Na do Francisco Coelho

E na do José Pedro

Podes beber sem medo

Porque o vinho é um espelho

Toma este conselho

Porque eu não me aflijo

Só bebo vinho do rijo

Para que o coraçãonão me caia

Á do Bernardo Maia

Eu sempro me dirijo

 

Versos da autoria de Francisco Redondo Carrilho - 24 de março de 1958

Fotografia: Facebook José Caldeira Martins